top of page

São Nicolau de Bari, Bispo de Mira

  • theboxtravel
  • 19 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

HO HO HO

Nicolau nasceu em Patara, uma pequena cidade marítima da região da Lícia, na atual Turquia, no século IV, no seio de uma família rica que o educou na doutrina cristã. Tornou-se órfão ainda jovem e, recordando a passagem evangélica do Jovem Rico, empregou toda a riqueza que herdou na assistência aos doentes e aos pobres.


Foi nomeado bispo de Mira e, sob o Império de Diocleciano, foi exilado e preso. Depois de libertado, participou no Concílio de Niceia, em 325, tendo falecido em Mira, em 343.


Foram muitos os episódios que o tornaram santo, mas há uma história em especial que o viria a transformar no Pai Natal.


Um vizinho seu tinha três filhas, todas em idade de casar, mas não possuía dinheiro suficiente para o dote. Desde o início dos tempos, as leis relativas às mulheres foram mudando e, em alguns lugares, melhorando. Nessa época, a falta de dote significava que não teriam marido e, para assegurarem o seu futuro, acabariam muito provavelmente na prostituição.


Nicolau, certa noite, colocou dinheiro enrolado num pano e atirou-o pela janela do vizinho. Graças a essa oferta, o vizinho conseguiu casar a filha mais velha. Nicolau repetiu o gesto mais duas vezes, sendo que, na última, foi apanhado pelo pai. Pediu-lhe então que mantivesse silêncio e guardasse o segredo dos seus atos.


Mas, como todas as histórias, também esta ganhou asas e fama.


Quando morreu, o seu túmulo, em Mira, tornou-se um local de peregrinação. Quando a cidade foi tomada pelos turcos, no século XI, os venezianos tentaram apoderar-se do túmulo, mas os habitantes de Bari adiantaram-se, levando as suas relíquias para a sua cidade, em 1087. Dois anos depois, foi concluída a cripta da nova igreja desejada pelo povo de Bari, no mesmo local onde anteriormente se situava o palácio do catapano (administrador) bizantino.


O Papa Urbano II, escoltado por cavaleiros normandos — os senhores da Apúlia —, colocou as relíquias sob o altar, onde ainda hoje se encontram.

São Nicolau é o padroeiro das crianças, dos estudantes, dos comerciantes e dos navegadores, devido aos episódios em que a sua intervenção auxiliou ou salvou pessoas ligadas a estas atividades. Padroeiro das crianças, deu-lhe o eterno título de Pai Natal.


Mas de onde surgiu este nome?


Na Idade Média, o culto de São Nicolau propagou-se e tornou-se importante por toda a Europa. São Nicolau morreu a 6 de dezembro, e era habitual, em homenagem à sua generosidade, oferecer presentes nesse dia, principalmente às crianças, das quais São Nicolau era padroeiro.


Nos territórios germânicos, a festa de inverno dedicada a São Nicolau levava as crianças a colocarem os sapatinhos junto à lareira ou sobre uma cadeira, para que, no dia seguinte, recebessem presentes e doces. O nome, de origem holandesa, era Sint Nikolaas, mais tarde Sinteklaas.


Os imigrantes holandeses que viajaram para a América levaram consigo a tradição, e o nome acabou por ser adaptado pela tradição anglicana para Santa Claus.


O nascimento de Jesus Cristo, celebrado a 25 de dezembro, com a entrega de presentes pelos Reis Magos, fundiu-se com as ações beneméritas de São Nicolau, passando a tradição da entrega de prendas para a noite de 24 de dezembro.


Em 1823, o cartoonista americano Thomas Nast compôs o poema A Visit from Saint Nicholas e, através dos seus desenhos, lançou a imagem de um velhinho de formas mais cheias, sorriso afável e barba simpática, que distribuía presentes. Na Europa, o nome Pai Natal surgiu da imagem do pai protetor e consolidou essa designação.


Foi a Coca-Cola, nos anos 30 do século XX, que fixou na nossa memória coletiva a imagem que hoje todos temos do simpático velhinho.


Mas e então a sua morada?


O Polo Norte é um local extremo e isolado, rodeado de gelo e neve — ideal para instalar uma fábrica de brinquedos longe de todos os olhares. A sua localização permitiria também ao Pai Natal deslocar-se por vários fusos horários e entregar, a tempo, todas as prendas às crianças… às bem-comportadas, desculpem, prendas.


As renas, animais robustos, domesticáveis e habitantes das regiões do Norte, surgiram no imaginário coletivo a partir do poema de Thomas Nast. Foram-lhes atribuídos poderes mágicos para poderem voar e serem rápidas na entrega das prendas.


O nariz vermelho do Rodolfo surgiu entre as décadas de 30 e 40 do século passado, para guiar o Pai Natal entre a neve e o nevoeiro.


Só falta a música… E não, não é a da Mariah Carey. Silent Night é a música mais famosa de todo o mundo e património da UNESCO. No entanto, é All I Want for Christmas Is You, de Mariah Carey, a mais lucrativa e a mais tocada.


Podíamos ter escolhido a imagem do velho simpático, mas optámos por esta. E porquê? Porque o Pai Natal é símbolo de generosidade. E para ele ser generoso, basta tu seres… generoso também. Afinal, sermos bonzinhos é sermos generosos em toda a sua plenitude.


Quem não se lembra das bicicletas a voarem com a lua em fundo, transportando um E.T. embrulhado em trapos e fugindo de perseguidores? Faz lembrar alguma coisa.E este E.T. é também um viajante, universal.


Por isso, consideramos que o turismo tem o poder de ser conciliador e de ser, verdadeiramente, a indústria da paz.


Compete-nos a nós sermos bons viajantes para todos os habitantes desta nossa bola azul.

J

á agora, o “Ho Ho Ho” era o cumprimento usado pelos duendes na fábrica do Pai Natal como forma universal de saudação, sem recorrer às várias línguas. Usado pelo Pai Natal, naquela voz quente e harmoniosa que acompanhava o seu sorriso.


Esquecemo-nos dos duendes… mas fica para o ano.


Boas Festas.

 
 
bottom of page