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Arcachon & as ostras

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Desde a Antiguidade até 1852, as ostras eram exploradas apenas na costa atlântica como recurso de pesca, onde eram "apanhadas" por arrasto. Nos séculos XVII e XVIII, a ostra ganhou popularidade por ser servida na Corte Real e depois entre a burguesia. Um comércio lucrativo levou ao esgotamento dos depósitos naturais. Com a chegada do caminho-de-ferro na década de 1840 e a consequente facilitação das trocas comerciais, a pressão sobre os recursos naturais de ostra na baía aumentou ainda mais. Em 1848, a apanha da ostra quase foi abandonada. A ostra explorada tornou-se então uma espécie endémica – a Oestrea edulis, ou ostra plana chamada gravette.

 

O desenvolvimento da ostricultura também impulsionou o crescimento de vários setores económicos relacionados. Observou-se um aumento no número de comerciantes marítimos, gestores de parcelas, assim como de pessoas envolvidas em atividades de exploração, devido à elevada procura de materiais para a construção de embarcações de pesca pinasse, ferries e barcaças, cabanas, delimitação das zonas de cultivo de ostras, entre outros. A comunidade científica também teve um papel ativo nesse processo, testemunhando-se, em 1863, a criação da Sociedade Científica de Arcachon.

 

Foi graças à intervenção de Victor Coste, que recebeu a missão de Napoleão III para desenvolver a produção de espécies marinhas na costa atlântica, que ocorreram os primeiros avanços técnicos na criação de ostras. Em 1859, ele criou os primeiros canteiros de ostras e pontos de armazenamento permanentes na Baía, conhecidos como as "Fazendas Imperiais". Em 1858, Victor Coste inventou o primeiro coletor de larvas de ostra. No entanto, as ostras jovens tendiam a ser mortas ou danificadas durante o processo de recolha.

​​Em 1866, um pedreiro de Arcachon, Jean Michelet, inovou e revolucionou as técnicas de recolha em ambiente natural ao desenvolver azulejos revestidos com um material impermeável, friável e capaz de fixar as larvas, permitindo assim que as ostras fossem destacadas sem serem danificadas. Esta inovação marcou o início da maricultura na Baía de Arcachon. Ainda hoje, os azulejos caiados a cal são característicos da região da Baía de Arcachon.

 

Os Primeiros Sucessos: a “Idade de Ouro” da Ostricultura

 

Entre 1870 e 1875, o número de explorações ostrícolas multiplicou-se por cinco: de 500 para 2.600, número que continuou a crescer até 1890. As ostras comercializadas eram conhecidas como ostras de viveiro e semi-viveiro. Estas eram enviadas para todos os centros ostrícolas franceses e europeus.

 

As Primeiras Crises e Desafios da Ostricultura

 

Entre 1891 e 1896, canais de comercialização desorganizados e um crescimento abrupto da produção causaram a queda dos preços e o abandono das explorações ostrícolas. Esta situação provocou a primeira crise comercial na Baía de Arcachon. Contudo, graças à influência da União Geral da Ostricultura, o mercado local começou a estruturar-se melhor e a sua competitividade a nível nacional melhorou.

 

Em 1920, a ostra plana foi dizimada em toda a França devido a um surto de doença epizoótica. Os ostricultores foram então obrigados a procurar alternativas para a produção, começando a cultivar a “ostra portuguesa”, a Crassostrea angulata, introduzida em 1868 após o naufrágio de um navio português próximo ao estuário da Gironda.

 

Entre 1930 e 1970, a produção de ostras na Baía de Arcachon aumentou quase regularmente. Contudo, entre 1960 e 1970, a elevada densidade das explorações e a má qualidade das águas da baía provocaram uma queda na produção. Os ostricultores exigiram uma melhor gestão do despejo dos resíduos urbanos e industriais na baía, o que levou, em 1964, à criação do Syndicat Intercommunal du Bassin d’Arcachon (SIBA), uma organização responsável pela implementação de redes de saneamento.

 

O SIBA é uma associação intermunicipal que reúne diversas comunas da região da Baía de Arcachon e é encarregue do saneamento das águas residuais, gestão das águas pluviais, proteção do ambiente e promoção sustentável da bacia hidrográfica da baía. A criação deste organismo foi decisiva para melhorar a qualidade das águas e assegurar o futuro da ostricultura local.

 

Em 1971, a ostra portuguesa foi novamente dizimada por uma doença epizoótica e foi substituída, num projeto experimental de importação, pela ostra japonesa Crassostrea gigas, que se adaptou bem à região.

 

Outra das atrações desta região é a Duna do Pilat que do nosso restaurante podemos observar toda a sua beleza e dimensão! Está localizada na entrada da bacia do Arcachon e possui características paisagísticas excepcionais: uma imagem panorâmica de uma grandiosa paisagem floresta-duna-oceano.

 

Pertencendo às dunas costeiras regionais, é até hoje a única duna ainda em movimento neste sistema. Entre o oceano e a floresta, move-se 1 a 5 m por ano para leste sob a influência de ventos e marés predominantes. Desta forma, abranga  gradualmente o maciço florestal adjacente.

 

Composta por aproximadamente 60 milhões de m3 de areia, a Duna de Pilat tem uma altura de 100 a 115 m, dependendo do ano. Suba até o topo das escadas instaladas da  Páscoa até o Dia de Todos os Santos, ou para os mais corajosos, na  areia!

 

Só nos resta desejar um bom apetite para amanhã!

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